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Meu nome é Camila, nutricionista desde 2004 e diagnosticada com doença celíaca em dezembro de 2015. Depois dessa descoberta, já na fase adulta, entendi que com minha formação profissional e a experiência própria da doença, posso e devo contribuir, orientar e ajudar tantas pessoas que passam por essa mesma situação.

Há muitos anos convivi com a anemia por falta de ferro, porém nenhum especialista investigava a causa dessa deficiência. Mesmo tomando suplemento de ferro e me alimentando com fontes de ferro, a anemia nunca melhorava. Só melhorava quando me prescreviam o ferro para ser infundido pela veia em hospitais, e foi a única forma de tratamento que os especialistas indicavam. Chegou um momento que me cansei e comecei a pesquisar mais profundamente sobre a falta de ferro, além da falta das vitaminas D e B12 que eu também tinha. Me lembrei que há algum tempo atrás havia realizado uma endoscopia em que apareceu “Doença Celíaca” como hipótese diagnóstica, e na ocasião, o profissional que me acompanhava salientou que, apesar desse resultado, como eu nunca havia apresentado sintomas como: diarreia, vômitos e cólicas, que iria descartar a doença celíaca. Na época, segui a orientação médica sobre não ser necessário tirar o glúten da minha alimentação, pois eu também desconhecia que existia doença celíaca sem estes sintomas “típicos”.  Tempos depois, quando comecei a pesquisar, me lembrei desse resultado associado às deficiências nutricionais, não tive dúvidas que talvez eu pudesse ser celíaca, que apesar de não apresentar os sintomas clássicos, já estava tendo repercussão na minha saúde. Foi quando pedi auxílio à uma amiga médica do trabalho que me solicitou alguns anticorpos específicos da doença celíaca, e o que não foi surpresa para mim: todos positivos!

A partir de então tenho seguido o único tratamento atual da doença celíaca: retirar o glúten da alimentação. Confesso que no início não foi fácil aceitar e ainda não está sendo uma tarefa simples. Ainda tenho muita vontade de comer diversos alimentos, dificuldades em sair para comer, ouvir comentários maldosos e também a toda hora ter que explicar o porquê da minha alimentação atual. Mas, por outro lado, meus exames estão se normalizando, não mais me sinto cansada e sem energia como me sentia, enfim, nunca me senti tão bem.

Entendo que a doença celíaca não surgiu na minha vida sem nenhum propósito e minha missão agora, como nutricionista e paciente, é ajudar as outras pessoas a conviver com essa doença e perceber que podemos sim ser felizes sem o glúten.