09/03/2017
Conheça as desordens do glúten
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Oláaaa!!! Estou muito feliz em poder contribuir de alguma maneira com todos que tem a mesma restrição alimentar que eu …

Não poderia iniciar essa página sem descrever quais são as doenças que estão relacionadas ao glúten e esclarecer que somente nesses casos que é indicada a retirada dessa proteína.

O glúten não está envolvido apenas na Doença Celíaca, existem outras desordens por ele causadas:Sem título

 

ORIGEM AUTOIMUNE

DOENÇA CELÍACA

É uma doença autoimune desencadeada pela ingestão do glúten por indivíduos geneticamente predispostos. Seu tratamento consiste exclusivamente na retirada total do glúten da alimentação. O glúten é a fração de proteína encontrados no trigo, centeio e cevada. Se manifesta por meio do contato das frações tóxicas do glúten (gliadina e glutenina) com as células do intestino delgado, provocando uma resposta imune com a produção de anticorpos, e, frequentemente, atrofiando a mucosa intestinal e diminuindo a área disponível para absorção de nutrientes. Por isso os celíacos podem apresentar falta de vários nutrientes no organismo. Existem 3 formas:

Clássica: se manifesta nos primeiros anos de vida com sintomas como diarreia ou constipação crônica, falta de apetite, vômitos, emagrecimento, comprometimento do estado nutricional, irritabilidade, déficit do crescimento, dor e distensão abdominal, atrofia da musculatura glútea e anemia por falta de ferro.

Não- clássica: caracteriza-se pela ausência de sintomas digestivos ou, quando presentes, ocupam um segundo plano. Os pacientes podem mostrar manifestações isoladas, como baixa estatura, anemia por deficiência de ferro que não responde à suplementação de ferro oral, artrite, constipação intestinal, osteoporose e esterilidade.

Assintomática: como o próprio nome diz, a pessoa não apresenta nenhum sintoma, podendo permanecer sem diagnóstico por prolongado período de tempo, muitas vezes superior a 10 anos, o que pode levar a complicações na saúde, como: anemia resistente ao tratamento, dermatite herpetiforme (expressão dermatológica da doença), primeira menstruação tardia e menopausa precoce, infertilidade, abortos de repetição, depressão, sintomas neurológicos progressivos (principalmente ataxia e epilepsia), osteoporose, doenças malignas do trato gastrointestinal. Vem sendo reconhecida com maior frequência nas últimas duas décadas após o desenvolvimento de marcadores específicos no sangue (anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio). A realização do rastreamento destes anticorpos no sangue é aceita como diagnóstico definitivo quando os resultados são positivos e confirmados pela biópsia intestinal, seguida pela resposta à dieta isenta em glúten.

DERMATITE HERPETIFORME

É a manifestação na pele da Doença Celíaca, caracterizada por erupção cutânea que inicialmente consiste em pequenas lesões e rapidamente se transformam em elevações na pele. Pequenas bolhas podem aparecer e se romper, secar e formar feridas. Os sintomas predominantes são coceira intensa e queimação. As lesões são caracterizadas por serem simétricas. Os cotovelos e antebraços superiores são afetados em mais de 90% dos pacientes. Outros locais comumente envolvidos são as nádegas, joelhos, ombros, sacro, face, couro cabeludo, pescoço e tronco.

Apenas 10% dos pacientes com Dermatite Herpetiforme tem sintomas gastrointestinais e estes são geralmente leves. Entretanto, a atrofia da mucosa intestinal da Doença Celíaca é encontrada de 65% a 75% dos pacientes com Dermatite Herpetiforme.
Depois de estabelecer um diagnóstico de Dermatite Herpetiforme, a execução da alimentação sem glúten deve ser recomendada, mesmo quando a mucosa do intestino delgado parecer normal (como é o caso em Doença Celíaca potencial), porque a erupção da Dermatite Herpetiforme é sensível ao glúten.

ATAXIA POR GLÚTEN

O termo “ataxia” significa perda de equilíbrio e coordenação. Os pesquisadores sugerem que essa ataxia em pacientes com altos níveis no sangue de anticorpos sensíveis ao glúten são imunomediadas e propuseram o termo “ataxia por glúten”, que é uma doença autoimune caracterizada por danos no cerebelo.
A resposta ao tratamento com uma dieta isenta de glúten depende da duração da ataxia antes do diagnóstico. A perda de células de Purkinje do cerebelo é o resultado da exposição prolongada ao glúten em pacientes com Ataxia por Glúten. O início imediato de uma dieta sem glúten é recomendado para melhoria ou estabilização da ataxia.

ALERGIA AO TRIGO

É uma reação imunológica às proteínas de trigo, e não somente ao glúten. É classificada em alergia alimentar clássica, que afeta a pele, o trato gastrointestinal ou o trato respiratório.
Grande parte da pesquisa sobre reações alérgicas adversas ao trigo tem se centrado sobre alergia respiratória, que é uma das alergias mais comuns de trabalho em muitos países. Alergia alimentar ao trigo, que na sua forma extrema pode levar a anafilaxia e morte, é provavelmente menos difundida na população em geral.

SENSIBILIDADE AO GLÚTEN

Existem casos de reação ao glúten em que nem os mecanismos alérgicos nem autoimunes estão envolvidos. Estes são geralmente definidos como sensibilidade ao glúten. Na sensibilidade ao glúten os pacientes são incapazes de tolerar o glúten e desenvolvem uma reação adversa ao consumi-ló que, geralmente, e diferentemente da doença celíaca, não provocam danos no intestino delgado. Embora os sintomas gastrintestinais na sensibilidade ao glúten sejam parecidos com doença celíaca, o quadro clínico não é acompanhado dos anticorpos específicos relacionados com a celíaca.

Há uma prevalência de sintomas “extra-intestinais”, tais como mudanças de comportamento, dores ósseas ou articulares, câimbras musculares, dormência nas pernas, perda de peso e fadiga crônica. Durante a última década, vários estudos têm identificado os sinais e sintomas associados com a Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca, especialmente quanto aos transtornos neuropsiquiátricos, como por exemplo no transtorno do espectro autista em que a implementação de uma dieta isenta em glúten parece melhorar o comportamento de um grupo de crianças.

Atualmente não existem biomarcadores de laboratório específicos para a Sensibilidade ao Glúten. Normalmente, o diagnóstico é baseado em critérios de exclusão; uma dieta de eliminação de glúten seguida por um “desafio aberto” (isto é, a reintrodução monitorada de alimentos contendo glúten) é mais frequentemente usada para avaliar se a saúde melhora com a eliminação ou redução de glúten da dieta do paciente. Infelizmente, a informação baseada em evidência nesta área é limitada.

Referências
PRATESI R, GANDOLF L. Doença celíaca: a afecção com múltiplas faces. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n. 5, p.357-358, 2005.
ARAUJO HMC, ARAUJO WMC, BOTELHO RBA, ZANDONADI RP. Doença celíaca, hábitos e práticas alimentares e qualidade de vida. Revista de Nutrição, Campinas, v. 23, n.3, p. 467-474, 2010.
SAPONE A, et al. Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclatures and classification. BMC Med, Londres, v.10, n. 13, p 1-12, 2012.

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